
Por Regina Lima/Imagem: Juan Esteves
A curadora, pesquisadora e gestora cultural Rosely Nakagawa, uma das principais referências da fotografia brasileira, estará em Belém no próximo sábado (27) para ministrar a palestra “O Barroco e o Trabalho na Fotografia Contemporânea”, dentro da programação educativa da exposição “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado, em cartaz na Galeria 1 do Centro Cultural Banco da Amazônia até o dia 16 de agosto.
A atividade será realizada das 10h às 11h, no Centro Cultural Banco da Amazônia. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo perfil @expotrabalhadores. As vagas são limitadas.
Com mais de quatro décadas dedicadas à fotografia, Rosely Nakagawa construiu uma trajetória marcada pela criação de exposições, livros, acervos e projetos fundamentais para a consolidação da fotografia brasileira. Fundadora da Galeria Fotoptica, atuou em importantes instituições culturais do país e atualmente dirige o Centro Cultural do Cariri, no Ceará.
A relação da pesquisadora com Belém também é histórica. Sua primeira visita à capital paraense ocorreu em 1985, a convite do fotógrafo Luiz Braga, durante uma Semana de Fotografia promovida pela Funarte.
“Cheguei em Belém pela primeira vez em 1985 a convite do Luiz Braga para a Semana de Fotografia da Funarte. Nunca mais deixei de voltar”, recorda.
Ao longo dos anos, Rosely acompanhou de perto a consolidação da fotografia paraense e participou, ao lado de Mariano Klautau e com a colaboração de Rose Silveira, da organização do livro Panorama da Fotografia Paraense, que reúne autores da geração 1980/1990, entre eles Luiz Braga, Miguel Chikaoka, Guy Veloso, Paula Sampaio, Alberto Bitar, Dirceu Maués e Mariano Klautau Filho.
Reflexões sobre arte, história e trabalho
Na palestra, Rosely propõe uma reflexão sobre a presença do barroco na fotografia contemporânea a partir de uma perspectiva histórica. Segundo ela, a discussão ultrapassa a dimensão estética e a dramaticidade presentes em muitas imagens.
“Quando menciono o Barroco, não me refiro apenas à estética, mas à forma como esse movimento artístico foi constituído. O Barroco brasileiro foi sustentado pela exploração da força do trabalho escravo, tanto de africanos quanto de indígenas. A riqueza gerada pela cana-de-açúcar e pela mineração financiou igrejas e obras de arte, enquanto artesãos e artistas escravizados e libertos foram os responsáveis diretos pela execução e criação artística desse período”, afirma.
A pesquisadora também aborda as transformações provocadas pela fotografia digital e pela popularização da produção de imagens.
“As maiores mudanças vieram com a fotografia digital e com as transformações sociais que ela trouxe. Hoje, essa fotografia feita na ponta do dedo, muitas vezes sem passar pelo cérebro, perdeu o sentido”, observa.
A expectativa da curadora é reunir pessoas interessadas em discutir a fotografia para além da técnica e da estética. “Gostaria de reunir um público interessado em discutir o papel da fotografia no comportamento social”, resume.
Sobre a exposição
A exposição “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado, reúne imagens produzidas entre 1986 e 1992 em diferentes partes do mundo, registrando atividades como mineração, agricultura, pesca, construção civil e extração de petróleo.
Considerada uma das obras mais emblemáticas do fotógrafo mineiro, a série evidencia a dimensão humana do trabalho e as transformações sociais provocadas pela industrialização e pela globalização.
Em Belém, a mostra é acompanhada por uma programação educativa que amplia o debate sobre fotografia, memória e questões contemporâneas.
A realização é da Maré Produções, com patrocínio do Banco da Amazônia, por meio do Governo Federal.
Serviço
Palestra “O Barroco e o Trabalho na Fotografia Contemporânea” Com Rosely Nakagawa
Quando: 27 de junho (sábado)
Que horas: 10h às 11h
Onde: Centro Cultural Banco da Amazônia – Av. Presidente Vargas, 800, Campina – Belém
Inscrições gratuitas pelo perfil @expotrabalhadores
Link: https://forms.gle/wSZYFr619TJ3pX7B6
