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Por Regina Lima/ Imagem: Divulgação

A III Mostra Tekó encerrou sua programação consolidando-se como uma das principais vitrines do artivismo indígena urbano na Amazônia. Realizado nos dias 29 e 30 de maio, em Belém e Ananindeua, o evento reuniu artistas de 14 etnias e atraiu público acima das expectativas da organização.

Com exposições, mostra audiovisual, performances, oficinas, debates, feira de artesanato e apresentações musicais, a iniciativa destacou a produção artística de indígenas que vivem e atuam nos centros urbanos, ampliando a visibilidade de suas identidades, lutas e expressões culturais contemporâneas.

Entre os destaques estiveram o lançamento do Manifesto Tekó de Retomada em Maenry, o espetáculo Quando a Folha Dança, da artista Arapiun Rô Colares, a estreia do curta-metragem Álibi, da cineasta marajoara Jaci Garcia, além de oficinas e mesas de debate sobre direitos indígenas e políticas públicas. A exposição Território, Encantaria e Retomada segue aberta à visitação até 26 de julho, no Sesc Ver-o-Peso. A organização já confirmou a realização da quarta edição da mostra em 2027.

MANIFESTO TEKÓ DE RETOMADA EM MAENRY

Eis nosso apelo de audácia e reclamo, já que independência e necessidade não foram suficientes para atiçar o brasil em grandes chamas, sejamos rio para contornar obstáculos, afogar os soberbos, romper o asfalto e nutrir a terra. Sob as amarras de concreto que aprisionam igapós e igarapés em canais e galerias, sufocando sapopemas e inundando moradias, ecoam clamores ancestrais de uma terra encharcada do sangue indígena de incontáveis povos silenciados, cujas memórias se insiste em tentar apagar.

Atendemos ao chamado de Guaimiaba, ressoando através do tempo, sem que o chumbo ou a pena sejam capazes de calar. Somamo-nos à luta de resistência da Retomada Tupinambá, que, ainda hoje, enfrenta ataques lançados pelos agentes da catequese colonial, do alto de suas torres de marfim, erguidas sobre corpos do genocídio do qual são cúmplices. Lembrai, jamais houve crime cometido contra nós que não fosse protagonizado ou chancelado pelos nobres e doutos senhores.

Não desejamos uma Nova Belém, nem celebramos uma Feliz Lusitânia. A Cidade Velha não passa, para nós, de cicatriz recente neste território conquistado por Maíra, herói Tupinambá, na longa guerra contra as antigas e industriosas civilizações marajoaras. Queremos retomar Maenry, o legado dos Marajoara, de Maíra, de Guaimiaba, de Antônio Vinagre, do Alferes Mundurucu, do intrépido Caboclo Valentim e de tantas mulheres apagadas da história.

É nossa toda a arte, a ciência e demais conquistas da humanidade. Por mais que se insista em negar, indígena também é gente! Não devemos nada aos nossos saqueadores. Quando aqui aportou o primeiro kara’iwa, já encontrou grandes cidades, cerâmica da melhor qualidade, a mais avançada farmacologia e até anestesia. Já conhecíamos a lição que Dalcídio emprestou da oralidade: “o mundo todo cabe num caroço de tucumã”. Fluimos ressoando como rio sereno e implacável, remoldelando as margens que tentam nos aprisionar, sem deixarmos de ser quem somos, RETAMA!

Maenry, 29 de maio do 410° Ano da Ocupação Colonial.

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