
Por Regina Lima/Imagem: Raissa Rodrigues
Neste sábado (14), a partir das 18h, acontece mais uma edição da Battle Girl Power, circuito cultural itinerante de batalhas de rap, no Espaço Cultural Casa da Dona Zilna, sede da Associação Social Cultural dos Nativos (ason), no bairro da Sacramenta. A programação reúne MCs, DJs, grafiteiras, pocket shows, intervenções visuais(live paint) e produtoras na Incubadora de Cidadania Outros Nativos.
O evento é organizado pelo Coletivo Battle Girl Power, idealizado pela MC Ruth Clark, artista preta da periferia ligada ao movimento hip hop da capital paraense, em parceria com a Ason, instituição comunitária que atua no território da Sacramenta com ações de cultura, cidadania e fortalecimento de vínculos. “Quando a gente começou a Battle Girl Power, a ideia era muito simples e, ao mesmo tempo, urgente: criar um lugar onde mulheres, pessoas trans e LGBTQIA+ da quebrada pudessem rimar com segurança e respeito”, afirma Ruth Clark. “A batalha nasce da rua, mas também nasce de um cansaço coletivo de não se ver nos palcos, nas programações e nos microfones”, afirma a artista e produtora.
Segundo a idealizadora, ocupar espaços comunitários como a Casa da Dona Zilna faz parte do DNA do projeto. “A gente não quer só fazer evento, a gente quer construir território. Cada edição é um jeito de dizer que a periferia produz arte, pensamento e futuro. A Battle Girl Power é sobre isso: transformar o corre de cada uma em movimento coletivo.”
Sobre o Circuito Cultural
Circuito de rua – O circuito atua como um projeto itinerante promovendo encontros, shows e ações culturais em praças, bairros e espaços comunitários de Belém e Ananindeua. Mais do que um evento pontual, a iniciativa se consolidou como espaço seguro para que mulheres, pessoas trans e artistas periféricos possam se expressar.
O propósito da Battle Girl Power é amplificar vozes historicamente silenciadas, conectando arte e transformação social. O circuito já mobilizou dezenas de MCs, DJs, produtoras e coletivos, fortalecendo a cena local e ampliando o acesso à cultura nas periferias.
A programação:
Abertura com DJ Jennizer
Batalha de MCs – Primeira fase
Pocket show – Elo das Mlks (Elo das Mulekas)
Batalha de MCs – Segunda fase
Pocket show – CHEFONA
Semifinal da batalha de MCs
Grande final
Enquanto as rimas acontecem no pátio, o muro da Casa da Dona Zilna se transforma em tela. Ao longo de toda a programação, a artista visual Sofia Brito (SBrit) realiza um live paint, conectando o discurso das batalhas à linguagem do grafite.
Nascida e criada no bairro da Condor, Sofia começou no grafite após o nascimento da filha Dandara e, desde então, vem se aprimorando em técnicas e traços que dialogam com o cotidiano amazônico e com a presença feminina no hip hop. Fundadora e organizadora da Batalha de Inhaúma, ela é hoje um dos nomes de referência na cena feminina do rap e do grafite em Belém.
Atrações – Entre as atrações confirmadas está o Elo das Mlks – também divulgado como Elo das Mulekas –, projeto de grime feminino independente formado exclusivamente por mulheres e pessoas trans do Pará. A iniciativa reúne produtoras de arte periférica que, em conjunto, fortalecem a circulação de suas criações e sua visibilidade na cena.
O Elo tem como MCs Ayra, Lymma, AfroTonni, Sara, Fernandinha e Luzz, que apresentam rimas sobre os beats da DJ Warasý, responsável pela produção sonora do projeto. A primeira edição audiovisual do Elo está disponível no YouTube e ajuda a projetar o trabalho do grupo para além das fronteiras da cidade.
Outro nome presente na programação é CHEFONA (a.k.a. Samantinha), artista do hip hop, tatuadora e grafiteira do interior do Norte do Pará. Com trajetória marcada pela resistência e pela construção de uma identidade artística que mistura rap, grafite e afirmação de liberdade, CHEFONA integra a XXT CREW, coletivo de mulheres e pessoas LGBT da Amazônia.
Cidadania e cultura – A realização da Battle Girl Power na Casa da Dona Zilna integra o projeto Incubadora de Cidadania, por meio da ação “ON no Rap” (Outros Nativos no Rap), iniciativa que reúne ações da instituição voltadas à cultura hip hop e à participação das juventudes periféricas no território.
O projeto Incubadora de Cidadania é projeto desenvolvido pela Ason com recursos do Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura do Pará e apoio cultural da Suzano. A ação está vinculada ao Edital de Chamamento Público n.º 003/2025.
Para a coordenação da Ason, levar a Battle Girl Power para o território é reafirmar o papel da cultura como ferramenta de fortalecimento comunitário. “Mais do que um espetáculo, a ideia é criar um espaço de encontro entre juventudes periféricas, artistas independentes e iniciativas que trabalham com direitos culturais, cidadania e participação social”, explica Taisse Naiade, secretária executiva da Associação e cofundadora da mesma.
