
Por Regina Lima/Imagem: Thiffany Di Paula
Neste mês de março, os palacetes de Belém serão cenários/personagens para as gravações do curta-metragem de ficção “A Casa da Rua de Ladrilhos”, uma produção que promete unir cinema, cultura e a memória. O curta terá como locações o casarão histórico onde hoje é a Casa das Artes Tiago de Pinho e principalmente o Palacete Carmem e o Palacete Bolonha.
O filme de suspense de época conta a história de Tereza, uma mãe que acabou de perder o marido e é obrigada a ir para uma casa abandonada com os filhos Thomas e Martina. Lá eles tem que fazer dessa casa seu novo lar e lidar com o luto da perda recente. Tendo uma grande virada narrativa com um exuberante museu.
A produção é o trabalho de conclusão de curso (TCC) da faculdade de cinema e audiovisual da Universidade Federal do Pará de Igor Bilby. O projeto está sendo produzido pela Laura Miranda, Igor Bilby e pelo coletivo independente O Bardo Produções, contando com o apoio da secretaria de cultura de Belém, e das produtoras Truevision Features Brasil e Mandajob.
“Nunca tive uma ligação com arquitetura, mas sempre admirei com bastante curiosidade as construções espalhadas pela cidade onde cresci, seja museus, casas antigas, as casas onde morei. A ideia surgiu a partir de um sonho com personagens que dão vida nesses espaços históricos, compartilhada com o co-roteirista Vinicius Caeté Ramos e posteriormente explorada na disciplina de Roteiro I, ministrada pela Suelen Nino, que também ajudou bastante na construção do curta ainda na sua etapa de desenvolvimento. Desde o começo da escrita, sabia que esse roteiro era especial, que contava com a memória da cidade ligada às minhas vivências pessoais e que teriam dificuldades de produção perante a locação, mas acredito que esse é o desafio do trabalho final do curso de cinema, claro, e contando com uma equipe incrível que fez virar realidade” afirma O roteirista, diretor e produtor executivo do projeto, Igor Bilby, que conta com orientação dos professores e realizadores Felipe Cortez, professor substituto/realizador paraense, e Ronald Jesus, baiano, recém efetivo do curso de cinema da UFPa.
Ao utilizar como locação casarões históricos de Belém construídos durante a Belle Époque, o filme estabelece um diálogo direto com a memória da cidade. Ao incorporá-los à narrativa, a produção valoriza o patrimônio histórico de Belém e reforça o papel do audiovisual como ferramenta de preservação e difusão cultural, além de destacar a identidade de Belém no cinema.
Por se tratar de uma produção independente realizada no contexto universitário, o curta reúne estudantes que já atuam no mercado audiovisual paraense e evidencia a força da formação acadêmica na renovação do cinema local. A obra destaca como o ambiente universitário pode funcionar como espaço de criação, colaboração e desenvolvimento de novos realizadores, contribuindo para fortalecer o cenário audiovisual paraense.
