
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Wladimir Junior
Shows gratuitos, exibição de filme, debates e apresentações musicais integram o Pré-Motins, evento inédito que acontece no dia 29 de janeiro, a partir das 15h, na Casa Dourada, na Cidade Velha, em Belém, com entrada gratuita mediante inscrição online. A programação reúne atrações como Gang do Eletro, Moraes MV, Mestre Dimmi e o grupo Carimbó Sensacional, além da exibição do filme Boiúna e rodas de conversa sobre ancestralidade, cultura periférica e narrativas amazônicas.
O Pré-Motins surge como uma prévia dos debates do Motins, encontro pan-amazônico previsto para março, e propõe um espaço de escuta, troca e experimentação entre diferentes linguagens artísticas da Amazônia contemporânea. A programação é organizada a partir de três eixos (ancestralidade, encantarias e tecnologia amazônida) conectando música, cinema e pensamento crítico.
A iniciativa é uma realização do Festival Psica, em parceria com o Negritudes Globo, com patrocínio máster da Petrobras, patrocínio do Mercado Livre e O Boticário e apoio da Tim. Para o diretor e curador do Festival Psica, Gerson Dias, o evento reforça a vocação do projeto de criar encontros entre artistas, pesquisadores e o público a partir dos territórios amazônicos. Segundo ele, a proposta é reunir diferentes linguagens para refletir sobre o presente e o futuro da produção cultural da região.
Jeft Dias, também diretor do evento, destaca que o Pré-Motins dialoga com reflexões construídas pelo Movimento Psica nos últimos anos sobre a conexão pan-amazônica, simbolizada pelo ciclo da dourada, peixe que atravessa diversos territórios do bioma. Para ele, o encontro é um momento de troca com agentes da criatividade e de fortalecimento de redes que ultrapassam as fronteiras nacionais.
A programação tem início com a exibição do filme Boiúna, inspirado na lenda da cobra-grande e nas relações entre território, memória e ancestralidade, seguida de falas das artistas e pesquisadoras Tayana Pinheiro e Jhanyffer. Em seguida, representantes do Festival Psica apresentam a proposta do encontro.
Ao longo da tarde, o público acompanha apresentações musicais e debates. O rapper paraense Moraes MV leva ao palco uma performance marcada pela oralidade, pela vivência urbana e por referências amazônicas. Os debates abordam temas como amazofuturismo, encantarias, tecnologias ancestrais e as narrativas do Brasil a partir do território amazônico e das memórias de povos originários e de matriz africana.
No encerramento, a música ganha destaque com o show da Gang do Eletro, referência do treme, ritmo periférico de Belém que mistura batidas eletrônicas e identidade amazônica, seguido pela apresentação de Mestre Dimmi e do grupo Carimbó Sensacional, reafirmando a diversidade sonora proposta pela curadoria do evento, que transita do eletrônico periférico às raízes populares da Amazônia.
