
Por Regina Lima/Imagem: divulgação
Com lançamento no último sábado (24) do espetáculo Abaeté, o Amazônia Integrada: Festival Arte Breada, realizado pelo Coletivo Cultural Achados e Perdidos, segue até o dia 1º de fevereiro, reunindo teatro, dança, música e cinema produzidos exclusivamente por artistas trans e dissidentes de gênero da Amazônia paraense. A peça inaugura a temporada de 2026 do teatro da CAIXA Cultural Belém e integra a Semana da Visibilidade Trans.
A peça “Abaeté”, criada e interpretada por Lírio do Pará, parte das memórias familiares da artista, especialmente das vivências de sua avó, Dona Sebastiana, que viveu em Abaetetuba a partir dos anos 1950. A dramaturgia afetiva e documental mistura teatro, carimbó, audiovisual e cenografia construída com matérias-primas da Amazônia, resultando em um espetáculo que investiga identidade, pertencimento e ancestralidade sob uma perspectiva dissidente.
Segundo Lírio do Pará, “nós estamos muito felizes com a oportunidade de apresentar ABAETÉ aqui na Caixa Cultural Belém. A abertura do Amazônia Integrada: Festival Arte Breada foi muito mais do que eu esperava, eu sentia as pessoas vibrando, se emocionando, se divertindo com a peça e eu ia resssoando durante a peça com isso. Nós já apresentamos no sul, sudeste e nordeste, mas o público do norte tem um carinho muito especial pra nós”
Lírio reforçou ainda o sentido político e coletivo da obra: “O teatro que criamos é pra que existam lugares de encontros. Tive a felicidade com essa obra de encontrar outras pessoas não binárias, dissidências em outros territórios. Isso é sobre resistência, sobre pluralidade e também entender que eu não estou nessas discussões todas. E em Belém, não foi diferente. Quero agradecer ao público mesmo, de coração. Não existe arte teatral sem vocês”.
Entre as pessoas que assistiram ao espetáculo, as reações foram de forte identificação. Para Edson Fernando, professor da Escola de Teatro da UFPA, “é um espetáculo que brinca de maneira muito lúdica entre ficção e realidade, com uma visualidade muito paraense e uma narrativa que toca profundamente a memória. Vivi realidades muito parecidas com as retratadas em cena, e isso emociona”.
Já Sebastian Santos, homem trans, ressaltou o impacto pessoal da experiência: “Percebi que a nossa transição não é estática, está sempre em movimento. Senti que construí uma nova etapa da minha transição hoje. Foi muito especial. Me identifiquei em vários momentos e fiquei com vontade de trazer toda a minha família para assistir”.
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