Por Kelvyn Gomes
Após uma década, o Fest’Rimbó volta a ser realizado entre os dias 18 e 20 de dezembro, no Barracão da Irmandade de São Benedito, em Santarém Novo, no Salgado Paraense. Em sua 14ª edição, o festival reúne mais de 30 grupos de carimbó, além de oficinas, rodas de conversa, palestras e atividades formativas, reafirmando o município como referência histórica na luta pelo reconhecimento do carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
A retomada do Fest’Rimbó marca o reencontro entre mestres, mestras, grupos tradicionais e novas gerações que sustentam a tradição do carimbó na região. Ao longo de três dias, o público acompanha apresentações de grupos como Quentinhos da Madrugada, Rouxinol, Revelação do Zimba, Sabiá Vermelho, Mãe Maria, Carimbora, Trinca Ferro, Caboclos da Mata, As Beneditas, Raízes Coremar, Bendito Carimbó, Cobra Venenosa, entre muitos outros, compondo um amplo panorama da diversidade do carimbó paraense.
Criado em 2002 pela Irmandade de Carimbó de São Benedito, o Fest’Rimbó antecede a tradicional festividade de carimbó promovida pela irmandade bicentenária. Mais do que um evento musical, o festival se consolidou como espaço de articulação cultural, política e pedagógica, integrando celebração, formação e debate sobre políticas públicas para a cultura popular.
Foi no Fest’Rimbó que surgiu, em 2005, durante a quarta edição, a proposta de registrar o carimbó como patrimônio cultural. A ideia nasceu do diálogo entre a Irmandade de São Benedito e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), dando origem à campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”, lançada oficialmente em 2006. O processo resultou no registro definitivo do carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 11 de setembro de 2014, marco da mobilização dos carimbózeiros da região.
Para Fernando Corrêa, conhecido como Preto, presidente da Irmandade de Carimbó de São Benedito, a volta do Fest’Rimbó simboliza a retomada de uma história coletiva. Segundo ele, o festival ficou interrompido por dez anos por falta de recursos e só foi possível retornar graças às políticas públicas acessadas após o reconhecimento do carimbó como patrimônio nacional. Para a Irmandade, retomar o evento é resgatar o lugar onde nasceu a luta dos carimbózeiros e fortalecer ainda mais essa tradição.
