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Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação

O cantor e compositor paraense MC Believe lançou nesta semana seu novo EP, “Belém é de Lua”, já disponível nas plataformas digitais. O trabalho marca um momento importante na carreira do artista trans nascido no Telégrafo, que abre uma etapa mais madura e politizada de sua produção musical. O lançamento, financiado pela PNAB por meio da Prefeitura de Belém e desenvolvido em parceria com a Associação Sociocultural Outros Nativos (Ason) e o selo Uka Uka Records, reforça o vínculo de Believe com a cena periférica que o formou.

A trajetória de MC Believe sempre se confundiu com o território em que cresceu. Ele começou a cantar aos 12 anos e, aos 14, já se apresentava em festas e casas das periferias de Belém. Em 2014, chegou a gravar o que seria seu primeiro álbum independente, ainda sob o nome Brenda Believe, mas o lançamento acabou não acontecendo.

A transição de gênero, anos depois, redefiniu sua carreira e sua presença pública: Brendhon tornava-se MC Believe, um nome que pretendia levar adiante sua história e reafirmava o desejo de ocupar novos lugares na música amazônica. A mistura de funk, arrocha, carimbó, reggae e pop moldou a identidade de um artista que sempre navegou entre fronteiras, usando a voz para contar histórias de juventudes LGBTQIA+ da Amazônia urbana.

É a partir desse percurso que MC Believe chega ao novo EP. “Belém é de Lua” reúne quatro faixas que expressam sua versatilidade e seu compromisso com uma arte conectada às lutas sociais e às transformações do território. A faixa-título, um carimbó contemporâneo criado com Álvaro Júnior e Nicobates, e com participação de Thaís Badu, foi composta em meio às discussões da COP30, traduzindo a beleza e os contrastes da capital paraense. O clipe, gravado no Ver-o-Peso e na Praça Dorothy Stang, reforça a ideia de uma cidade que celebra, mas também denuncia abandono e desigualdade.

O EP também amplia os experimentos sonoros de Believe. “Vem Amor” mistura pagode com referências do axé; “Estraga Casamento” explora um tecnomelody de refrão pulsante e registro vocal mais alto. “Belém é de Lua” nasce de um processo criativo colaborativo conduzido dentro da Ason, onde Believe, Badu, Álvaro Júnior e Nicobates desenvolveram a obra como um laboratório coletivo.

Disponível nas redes e plataformas digitais, o EP é resultado de mais de uma década de trajetória e marca um momento de afirmação artística e política.

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