
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação
A exposição “Amazônia: Confidencial”, do fotógrafo italiano Alessandro Falco, radicado há quase dez anos na Amazônia, abre nesta quinta-feira, 30 de outubro, às 18h, na Galeria Kamara Kó (Travessa Frutuoso Guimarães, 611, Campinas).
A exposição fica em cartaz até 7 de dezembro de 2025, com visitação de quarta a domingo, das 10h às 18h. A mostra, com curadoria de John Fletcher e assistência de Jomara Santos e Raphael da Luz, integra a programação cultural da COP30 e contará com mesas-redondas, visitas guiadas em português e inglês e participação nos circuitos culturais do evento.
Às vésperas da conferência climática que trará novamente a floresta ao centro do debate global, a exposição “Amazônia: Confidencial” propõe um olhar em sentido contrário. Em vez da espetacularização do território, a exposição convida à escuta e à contemplação, a partir de uma Amazônia que se revela nas ruínas, nas presenças e nas ambiguidades do cotidiano.
Reunindo fotografias produzidas entre 2018 e 2025 em diferentes regiões da Amazônia, o trabalho de Falco constroe um mapa emocional da floresta, onde o real e o simbólico se entrelaçam. “Mais do que retratar a Amazônia, busquei compreender como olhamos para ela e o que deixamos de ver”, explica o fotógrafo, que já publicou em veículos como The New York Times, National Geographic, Die Zeit e Bloomberg.
Para o fotógrafo, a exposição nasce da tensão entre o visível e o indizível. “Vivemos um momento em que há muitos olhares voltados para a Amazônia, especialmente com a proximidade da COP30. Falar sobre ela é reconhecer suas contradições, sem reduzi-la a uma ideia única. Convido o público a olhar com calma, com escuta, e a permitir que as imagens falem por si, antes mesmo de qualquer legenda ou contexto”, afirma o artista que descreve a mostra como um “exercício de pausa”.
A montagem reúne parte de um acervo construído ao longo de anos de viagens e reportagens, agora organizado de forma unificada sob a curadoria de Fletcher. Entre fotografias inéditas e revisitações de registros anteriores, o artista destaca o processo como uma redescoberta, um diálogo com o próprio arquivo e com os silêncios que ele abriga. “Esse trabalho não tenta responder: ele propõe perguntas em um momento chave para o futuro e a visibilidade da região”, diz Falco.
Apresentar “Amazônia: Confidencial” na Galeria Kamara Kó tem também um significado especial. “É um espaço histórico e simbólico, ligado a figuras fundamentais da fotografia amazônica, como Makiko Akao e Miguel Chikaoka. Poder expor aqui é, ao mesmo tempo, um gesto de reconhecimento e de continuidade”, comenta o fotógrafo.
A exposição, segundo ele, é um convite para observar, sem a pressa da interpretação, “um espaço de resistência à lógica da urgência e da superficialidade. Entre o ruído e o silêncio, Amazônia: Confidencial busca revelar o que persiste, mesmo quando tudo parece já ter sido dito”.
