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Por Kelvyn Gomes/Imagem: PV Dias

Em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi, o Instituto Tomie Ohtake realiza do dia 3 de outubro a 30 de dezembro, em Belém, a mostra coletiva “Um rio não existe sozinho”. A exposição vai transformar o Parque Zoobotânico em um percurso de arte viva, no qual obras criadas por nove artistas para este espaço se integram às trilhas, clareiras e sombras do parque, convidando o público a caminhar, ouvir e respirar a Amazônia.

Viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura, o projeto tem curadoria de Sabrina Fontenele e Vânia Leal e dialoga com os temas relacionados à 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), a ser realizada em Belém em novembro de 2025. Para Sabrina, a mostra é um lembrete do que está em jogo em tempos de crise ambiental. “Esta ilha de biodiversidade cuidadosamente mantida existe em um planeta em colapso. Não é um convite ao escapismo, mas um lembrete poderoso do que está em jogo”.

As obras apresentadas abordam diferentes dimensões da relação entre humanidade e natureza, indo da ancestralidade às urgências contemporâneas. Entre elas estão instalações que evocam a ligação entre terra e água, recriações de espécies ameaçadas, projeções que denunciam a devastação ambiental, esculturas em miriti que remetem a saberes ancestrais e trabalhos que transformam dados científicos da seca histórica de 2023 no Lago Tefé em paisagens visuais que alertam para a gravidade da crise climática. Vânia Leal destaca a floresta como sujeito político ativo. “Reconhecer isso é também reconhecer a urgência da justiça climática e a resistência dos povos que há séculos protegem esse território”.

Cada criação foi concebida em diálogo direto com o ambiente do Parque, respeitando sua fauna e vegetação e assumindo o desafio de se adaptar às condições vivas do espaço. A mostra também conta com a contribuição do Estúdio Flume, que projetou o pavilhão do Espaço Educativo a partir de técnicas e recursos locais, como madeira e palha de ubuçu, reafirmando o compromisso com a sustentabilidade e o diálogo entre arte, arquitetura e saberes tradicionais.

A abertura, no dia 3 de outubro, terá uma programação especial que inclui mesas de debate pela manhã, reunindo artistas, curadores e pesquisadores, e uma visita guiada à tarde, quando o público poderá percorrer a exposição ao lado dos expositores.

Para os pesquisadores Sue Costa e Pedro Pompei, a mostra é uma oportunidade de integrar arte e ciência em favor da reflexão crítica. “A conexão entre ciência e arte é uma estratégia para cultivar vínculos afetivos com o patrimônio natural e cultural da Amazônia, ampliar o acesso ao conhecimento e fortalecer a consciência crítica. É também um convite à imaginação e à reflexão, porque compreender a Amazônia exige tanto precisão científica quanto abertura poética”.

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