Por Kelvyn Gomes/Imagem: divulgação
O som do carimbó pau e corda do litoral paraense vai ecoar por Belém e outras regiões do estado. O Coletivo Balanço do Mar, nascido no arquipélago de Maiandeua (Algodoal), inicia,no dia 20 de setembro, no Espaço Cultural Apoena, a circulação do projeto “No Balanço do Mar pelo Carimbó do Pará”, que passará por três regiões: Metropolitana de Belém, Marajó e Tapajós.
A etapa Belém marca a abertura da turnê, com apresentações em diferentes espaços culturais da cidade, com participação do DJ The Black. No domingo, 21, o grupo realiza uma vivência e roda de carimbó no Espaço Coisas de Negro, em Icoaraci, um dos redutos mais importantes do carimbó urbano, com mais de três décadas de tradição. A programação segue até a próxima quarta-feira, 24, quando o coletivo se apresenta no Espaço Maíri, na Praça do Carmo, no bairro da Cidade Velha.
Formado em 2018, no Espaço Cultural Mupéua, em Algodoal, o Balanço do Mar é conduzido pelo multiartista e compositor Cleiton Mupéua, ao lado de sua companheira Elza Fernandes e familiares. O Mupéua é referência na preservação do carimbó praiano, com 18 anos de atuação na manifestação popular que é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Para esta turnê, o grupo apresenta o repertório autoral do EP “Vem Dançar Carimbó”, cujas composições mergulham nos mitos, encantarias e histórias da ilha de Maiandeua.
Além de levar o som do carimbó para novos públicos, o projeto busca evidenciar a diversidade dessa manifestação cultural, conectando estilos praiano, urbano, marajoara e tapajoara. “Nosso carimbó é orgânico. Somos músicos formados pela natureza: tronco de madeira, maraca, pau e corda. É uma música auto-sustentável”, afirma Cleiton Mupéua.
O artista também destaca o papel educativo do carimbó para a juventude. “Os mais novos que tocam com a gente precisam estar na escola, tirar boas notas, ter disciplina. O palco é livre, mas tem que ser responsável”.
A circulação é viabilizada pelo edital de Fomento à Circulação de Projetos Culturais 2025, dentro da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), fortalecendo a rede de carimbó no Pará e incentivando o intercâmbio entre coletivos e comunidades tradicionais.
