
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação
A partir desta sexta-feira, 29, às 18h, acontece a abertura da Mostra Fototaxistas, na Kamara Kó Galeria, em Belém, que reúne trabalhos resultantes do Lab Fototaxia (Laboratório de Experimentação Fotográfica), coordenado pelo fotógrafo Miguel Chikaoka e produzido por Makiko Akao. A visitação segue até 30 de setembro, com entrada gratuita.
O laboratório, realizado entre abril e agosto deste ano, foi contemplado pelo edital da Lei Aldir Blanc e envolveu 30 participantes de diferentes territórios e coletivos do Pará. Entre eles, artistas negros, quilombolas, integrantes de grupos LGBTQIAPN+, comunicadores populares, professores e produtores culturais.
Construído como um ambiente de partilha e experimentação, os encontros incluíram desde a confecção de câmeras artesanais até práticas de pinhole, fotografia mental, exercícios de luz e sombra e processos manuais de revelação. “A mostra é como um espelho da nossa vivência: reúne fragmentos de processos, descobertas e até incertezas que fomos experimentando ao longo da imersão”, comenta a participante Camila Serrão.
A proposta metodológica, conhecida como “pedagogia da luz”, é a marca do trabalho de Chikaoka ao longo de mais de 40 anos. Para a fotógrafa Renée Miranda, a experiência foi uma forma de desaprender técnicas engessadas e redescobrir a essência da fotografia: “Foi um exercício de olhar, de paciência com o processo e de compreender que não existe certo ou errado, tudo é experimento”.
O termo fototaxia, que dá nome ao laboratório, vem da biologia e se refere ao movimento de organismos em direção à luz. No contexto do projeto, ganhou um sentido simbólico, a fotografia como deslocamento sensível, aproximação coletiva e exercício de invenção. O título da mostra, Fototaxistas, foi escolhido pelos próprios participantes, como tradução desse percurso comum.
Na galeria, o público vai encontrar fotografias, objetos e registros audiovisuais que preservam a singularidade de cada artista, mas também evidenciam o processo colaborativo que marcou o laboratório. “A fotografia foi quase uma desculpa, tendo como foco o fazer, o engajamento e a escuta”, resume Chikaoka.
