Portal Jambu

Por Kelvyn Gomes/Imagem: divulgação

A ELF Galeria, em Belém, abre, neste sábado, 23 de agosto, das 10h às 14h, a mostra coletiva “Desenho, Desenho, Desenho & Desenho”, e reúne trabalhos de artistas paraenses de diferentes gerações e estabelece um diálogo entre a produção contemporânea e o pioneirismo de Ismael Nery, que apresentou sua primeira exposição individual na capital em 1928. Na exposição, participam os artistas Pedro Morbach, Tadeu Lobato, Elisa Arruda, Erinaldo Cirino, Keyla Sobral e Henrique Montagne, que também assina a curadoria.

Segundo Henrique Montagne, o título repetitivo da exposição busca chamar atenção para a centralidade do desenho na prática artística. “Pra grudar na mente e não esquecer. O desenho é a materialização do instinto primitivo de gravar o que se sente, como sinais de fogo, entre traços e linhas, sombras e vazios”, afirma.

As obras apresentadas exploram linguagens e temáticas distintas. O nanquim de Morbach se destaca pelo uso expressivo da técnica; Lobato articula vida e morte em composições mistas; Sobral aposta no desenho digital e em pequenas sátiras animadas; Cirino insere o erotismo em bordados delicados; Arruda investiga memória, autodescoberta e mulheridade; enquanto Montagne propõe reflexões sobre masculinidades dissidentes, narrativas queer e vida homossexual.

A mostra também homenageia Ismael Nery (1900 – 1934), artista paraense ligado ao modernismo e ao surrealismo, cuja obra foi valorizada apenas após sua morte. Em sua primeira exposição individual, realizada em Belém em 1928, nenhum desenho foi vendido, mas a experiência contribuiu para consolidar o desenho moderno no país.

Para Montagne, o desenho é, ao mesmo tempo, um gesto pessoal e um instrumento social de memória e crítica. Nesse sentido, a exposição convida o público a enxergar o Pará para além dos clichês visuais, projetando-o como espaço de desejo, criação e narrativa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Portal Jambu