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Por Kelvyn Gomes/Imagem: Nyd Pedro

Neste sábado, 23 de agosto, a partir das 19h, acontece, no Memorial dos Povos, em Belém, a grande final da Copa Paraense de Rimas. O evento reúne 16 MCs classificados em seletivas realizadas por todo o estado. A programação gratuita terá como atração nacional o rapper Big Bllakk, considerado um dos principais nomes do drill brasileiro. Além de Big Bllakk, a final contará com apresentações de Moraes MV e Bruna BG, artistas ligados à tradicional Batalha de São Brás, e discotecagem do veterano DJ Black, um dos pioneiros do movimento na cidade.

Pela primeira vez no Pará, Big Bllakk não esconde a expectativa em estrear na Amazônia. Para ele, a apresentação “não é só uma viagem, é um rompimento de barreira. É quebrar o eixo, é olhar no olho de quem faz arte de verdade, sem holofote e sem desculpa. Tô indo com o coração aberto, pronto pra aprender, pra trocar e deixar o drill ecoar em outro território”.

Na avaliação do carioca, artistas das regiões Norte e Nordeste enfrentam obstáculos ainda maiores para alcançar visibilidade. “A galera do Norte e Nordeste rala em dobro pra ser ouvida. No Sudeste, já existe uma estrutura, mesmo que precária. Mas lá em cima? Muitas vezes falta tudo, menos talento”, destaca. “Não dá pra falar de cultura sem escutar quem vem de fora do eixo”.

Por isso, ele considera iniciativas como a Copa Paraense de Rimas, fundamental para a democratização da cena. “Ver um projeto cruzando o Pará atrás de talento é mais que necessário, é reparação. É dar microfone pra quem já tá gritando há muito tempo. Isso é fomentar cultura, é criar pontes, é dizer: Você é tão artista quanto qualquer um”.

Para Big Bllakk, o hip hop mantém sua força justamente nesse espaço coletivo. “A rua é o maior palco do Brasil. O hip hop vive disso: de presença, de ocupação, de resistência. E agora, mais do que nunca, de reconstrução”.

O rapper também deixou uma mensagem direta aos jovens artistas do Pará. “Pra quem tá na rima: não abaixe a cabeça pra nenhum sotaque. A tua verdade é tua maior força. A batalha é tua escola, tua trincheira e teu trampolim. Não deixe ninguém dizer que tua arte é regional como se fosse menor”, afirmou. E concluiu com um chamado ao público de Belém.“Se prepare, porque eu tô chegando pra somar, aprender com vocês e deixar o drill carioca se misturar com a força do Norte. Vai ser energia de revolução”.

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