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Por Kelvyn Gomes/Imagem: Irene Almeida

Paneiro Luminoso – projeto fruto de uma parceria entre a Associação Fotoativa, de Belém, e a Maison de la Photographie Guyane-Amazonie (MAZ), da Guiana Francesa, vem transformando salas de aula em espaços de experimentação sensorial e reflexão sobre sustentabilidade, educação ambiental e identidade amazônica.

Sob a condução do fotógrafo e arte-educador Miguel Chikaoka, um dos principais nomes da pedagogia da imagem no Brasil, o projeto iniciou suas atividades em maio, percorrendo escolas públicas em diversos bairros e distritos da capital paraense e em municípios vizinhos. De acordo com Chikaoka, a  proposta é introduzir um dispositivo educativo multilinguagem nos ambientes escolares, inspirando professores e estudantes a experimentarem a luz, a fotografia e o olhar como ferramentas de aprendizado e transformação social. “Não temos como conceituar objetivamente o que é o Paneiro, dado que é um trabalho processual, aberto a todas as interferências dos atores participantes. Ele se expande a cada olhar, a cada participação”, afirma Chikaoka.

A metodologia envolve experiências práticas, construção coletiva de saberes e um profundo respeito pela diversidade de contextos. O projeto atua tanto em comunidades urbanas como em áreas rurais, quilombolas, indígenas e assentamentos do movimento dos trabalhadores sem-terra. Inspirado na Maleta Pedagógica criada pelo MAZ, na Guiana Francesa, um conjunto de materiais educativos com foco na fotografia, o Paneiro Luminoso se desenvolve de forma interdisciplinar, envolvendo docentes de diferentes áreas do conhecimento. A expectativa é que os resultados obtidos durante o percurso sejam sistematizados em uma publicação didática, a ser lançada em novembro durante a COP30, que acontece em Belém, e posteriormente apresentada em exposição na sede da MAZ, em dezembro.

A professora de sociologia e educação ambiental, Silvia Sousa, da EEEM Antônio Lemos, em Santa Izabel do Pará, reconhece o impacto do projeto. “As ações mobilizam o imaginário e ativam dimensões criativas que já existem nos estudantes e que muitas vezes ficam adormecidas no cotidiano da sala de aula”, diz. Para ela, o uso da imagem como linguagem educativa cria pontes entre conhecimento e vivência, tornando o aprendizado mais próximo e significativo.

A colaboração entre as instituições nasceu em 2021, com a participação da Fotoativa na Bienal Internacional Rencontres Photographiques de Guyane. Desde então, os laços foram se fortalecendo com exposições, intercâmbios e o programa de residências artísticas Ecos.Echos, que conecta artistas do planalto das Guianas.

Segundo Karl Joseph, diretor artístico do MAZ, a parceria “encarna uma vontade comum de fazer da fotografia uma ferramenta de criação, de transmissão e de transformação, em ressonância com as realidades amazônicas”.

Com uma proposta pedagógica sensível e engajada, o Paneiro Luminoso busca reafirmar o papel da arte como ferramenta de escuta, diálogo e construção de futuros mais sustentáveis, fazendo da fotografia um elo entre escolas, comunidades e territórios em movimento.

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