Portal Jambu

Crítica: Três Mulheres Altas, direção Fernando Philbert

Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação

O espetáculo “Três Mulheres Altas”, do dramaturgo norte-americano Edward Albee, chega a Belém para duas apresentações nos dias 26 e 27 de julho, no Teatro Margarida Schivasappa. A montagem, protagonizada pelas atrizes Suely Franco, Deborah Evelyn e Fernanda Nobre, integra o Circuito Cultural Bradesco Seguros e é apresentada com intérprete de libras em todas as sessões.

Dirigida por Fernando Philbert e traduzida por Gustavo Pinheiro, a peça é uma comédia mordaz sobre o tempo, o envelhecimento e as transformações de cada etapa da vida. A montagem atual marca o retorno do texto aos palcos brasileiros quase 30 anos após sua primeira encenação no país. “Apesar de tratar de temas densos como memória, perda e finitude, é uma peça em que o riso também tem lugar. Rimos da nossa própria humanidade, da nossa teimosia e contradições”, destaca o diretor Fernando Philbert.

Em cena, as atrizes interpretam três mulheres que, embora diferentes, são uma só em fases distintas da vida. Suely Franco dá vida à personagem A, uma senhora de mais de 90 anos que alterna lucidez e confusão, revivendo momentos marcantes do passado. Deborah Evelyn é B, a cuidadora que tenta equilibrar sensatez e empatia, enquanto Fernanda Nobre assume o papel da jovem advogada C, encarregada de cuidar dos assuntos burocráticos da idosa. O trio protagoniza embates ácidos, revelações dolorosas e também momentos de leveza e ironia. “O texto nos obriga a refletir sobre qual é a melhor fase da vida, se é que existe uma. Eu, que estou no meio do caminho, me vejo em várias questões das duas outras personagens. É uma peça que me provoca profundamente”, comenta Deborah Evelyn, que foi premiada como Melhor Atriz pela APTR por sua atuação.

Para Fernanda Nobre, a peça toca em questões que continuam urgentes. “Estamos falando de envelhecimento, de machismo, de pressões sociais sobre o corpo e o papel da mulher. Tudo isso atravessa as falas das personagens. É um texto que continua atual porque lida com os dilemas de qualquer tempo”, diz a atriz.

Já Suely Franco, aos 84 anos, afirma que voltar ao palco com um texto tão contundente é um presente. “A personagem A tem muito de mim, e ao mesmo tempo tem muito da minha mãe, da minha avó, de tantas mulheres que carregaram dores e silêncios. Estar em cena com duas atrizes tão potentes também é uma alegria imensa”.Os ingressos para as apresentações em Belém estão disponíveis na bilheteria do teatro e em plataformas online.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Portal Jambu