
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Luci Pimentel
Entre tambores, saias rodadas e histórias que atravessam gerações, o projeto “Raízes que Dançam”, realizado pela Irmandade de Carimbó de São Benedito, movimenta a cidade de Santarém Novo, a partir do dia 21 de julho com oficinas, apresentações e vivências que reforçam o papel do carimbó como patrimônio imaterial brasileiro e expressão viva da identidade amazônica.
A programação começa com a oficina de confecção de instrumentos típicos, como curimbó, maraca e reco-reco, e segue até o fim de agosto, sempre com atividades abertas à comunidade. Para Fernando Júnior, o “Preto”, presidente da Irmandade, o projeto é mais que uma agenda cultural. “Esperamos, com esse projeto, reafirmar o carimbó e nossas manifestações populares como expressões legítimas da identidade amazônica e destacar o papel da cultura como ferramenta de transformação social nas comunidades da região”.
A força dessa transformação se revela na participação ativa dos moradores e na centralidade histórica da Irmandade de Carimbó de São Benedito, que há quase dois séculos mantém viva a tradição local. Santarém Novo, inclusive, foi um dos primeiros municípios a lutar pelo reconhecimento oficial do carimbó como patrimônio imaterial do Brasil — título conquistado em 2014. Com apresentações como a da banda Os Quentes da Madrugada, marcada para 25 de julho na Praça Matriz, o projeto retoma o caráter comunitário e festivo do carimbó, fortalecendo laços e afetos.
Em agosto, o destaque vai para as vivências culturais que ocorrem em comunidades como a Vila de Santo Antônio. Nesses encontros, o público experimenta os ensaios, danças e toques da tradição junto a mestres e mestras do carimbó. “Ao transformar a riqueza imaterial do carimbó em motor de desenvolvimento sustentável, a iniciativa destaca Santarém Novo como um pólo de resistência e celebração da cultura amazônica. A força dos tambores e das saias rodadas ecoa não só como manifestação artística, mas como símbolo de identidade, pertencimento e futuro para as comunidades da região Bragantina”, afirma Jamilly Lopes, produtora cultural do projeto.
A proposta também integra ações de acessibilidade, garantindo que pessoas com deficiência e mobilidade reduzida participem plenamente da experiência. Além disso, estão previstas a produção de um curta-documentário e de um e-book ilustrado com registros das atividades, documentos que irão perpetuar as memórias do projeto.
Com um olhar voltado à formação e ao futuro, o Raízes que Dançam se conecta também com o ambiente escolar. Durante a Festividade de São Benedito, em dezembro, o projeto levará oficinas e apresentações às escolas do município. A ação “Carimbó nas Escolas: Vivência e Educação Cultural” colocará estudantes em contato direto com ritmos, passos e instrumentos do carimbó, reforçando o elo entre cultura e educação desde a infância.
