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Por Kelvyn Gomes/ Imagem: divulgação

Nesta sexta-feira, 11 de julho, a memória afetiva do centro histórico de Belém ganha vida na estreia do curta-metragem “Histórias da Campina”. A sessão será realizada ao ar livre, a partir das 19h, em frente ao Cinema Olympia, patrimônio da cidade que, mesmo em obras de restauração, segue como referência simbólica e afetiva. A exibição é gratuita e integra as ações da Associação Circular, responsável por mais de uma década de ocupações culturais na Campina e Cidade Velha.

Dirigido por Larissa Ribeiro, com roteiro assinado em parceria com Adelaide Oliveira e Luciana Medeiros, o curta se propõe como um mergulho poético no cotidiano do bairro da Campina, revelando personagens que, muitas vezes invisibilizados pela pressa da cidade, carregam memórias e afetos que ajudam a construir a identidade de Belém. “Foi muito bonito entrar em portas que eu possivelmente passei na frente inúmeras vezes, mas nunca entrei. Acho que isso é o que mais desejo com esse filme: que o público se emocione, ficaria curioso por esses lugares e pessoas, assim como ficamos”, afirma Larissa.

A escolha das personagens foi um dos desafios do roteiro. “Queríamos contar muitas histórias, mas por ser um curta, foi preciso escolher. Cada história ali é uma peça de um grande quebra-cabeça que é o bairro da Campina”, comenta Adelaide Oliveira, destacando a importância da experiência do Circular e da atuação de Luciana Medeiros na pesquisa e definição do recorte.

Entre os personagens do curta, estão nomes emblemáticos e afetivos como Paula Petruccelli, neta de imigrantes italianos que compartilha a história do imóvel onde hoje funciona a cafeteria Tapi-óka; Manoel Santos, da tradicional perfumaria Orion; Paula Sampaio, fotógrafa que documenta a cidade com sensibilidade; e Paulo Garcia, atual responsável pelo centenário Bar do Santiago, que antes foi a Taberna Santiago.

O filme é também uma continuidade do compromisso do Projeto Circular com o audiovisual como ferramenta de memória. Produções anteriores como “Experiência Circular” (2018) e “Ser Circular é Tocar o Coração da Cidad” (2020) já evidenciavam esse olhar atento aos processos de transformação e resistência do centro histórico de Belém. “Com a Larissa, trouxemos esse lado mais afetivo da Campina, focando em personagens com histórias que merecem ser conhecidas por mais gente”, afirma Luciana Medeiros.

Selecionado pelo Edital Cinema de Rua da Lei Paulo Gustavo, Histórias da Campina é, acima de tudo, um gesto de escuta e valorização de um território que insiste em manter viva sua alma, apesar do abandono e da descaracterização. “As memórias desses bairros contam também as histórias de outros cantos da cidade”, resume Adelaide.

A sessão ao ar livre será realizada no cenário vivo do próprio filme: as ruas do centro de Belém.

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