
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação
Belém foi escolhida como palco da estreia do projeto “Desassossego In Loco”, circuito nacional que une teatro, memória e resistência com atividades gratuitas na capital paraense. Entre os dias 3 e 6 de julho, o grupo Jurubebas de Teatro, de Manaus (AM), realiza oficinas, residências artísticas e apresentações no Centro Cultural Atores em Cena, no bairro de Nazaré.
A programação marca o início de uma circulação que ainda passará por Brasília (DF) e São João de Meriti (RJ), levando ao público o premiado espetáculo “Desassossego”, criado a partir das dores e das memórias da pandemia de Covid-19, especialmente do colapso sanitário que atingiu Manaus em 2021. “Essa obra é uma homenagem aos mais de 700 mil mortos pela pandemia no Brasil. Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça”, destaca o produtor do projeto, Robert Moura.
Reconhecida nacionalmente, a peça já percorreu diversos festivais do país e conquistou sete prêmios. O Jurubebas de Teatro foi, inclusive, indicado como “Melhor Grupo de Teatro do Brasil” pela Academia de Artes do Teatro.
As sessões do espetáculo em Belém acontecem nos dias 5 e 6 de julho, às 20h, com entrada gratuita. A obra mergulha nos traumas e na resistência diante da crise sanitária que deixou Manaus sem oxigênio hospitalar em janeiro de 2021. “Todos nós fomos afetados pela pandemia. A gente escolheu não deixar as pessoas esquecerem dos milhares de entes queridos que se foram”, afirma o diretor e dramaturgo Felipe Jatobá.
Após cada apresentação, o público poderá participar de rodas de conversa sobre o tema “Representatividade Indígena na Cena Contemporânea”, com mediação da historiadora e liderança indígena Kokama Maurille Gomes.
O protagonismo indígena também se apresenta no palco com o ator, sonoplasta e indígena Kokama Leandro Paz, que dá vida ao espetáculo. “A gente quer mostrar como nossos corpos encenam suas próprias narrativas, deixando um legado de ocupação nos palcos do Brasil”, afirma o ator.
Oficinas e intercâmbio amazônida
A programação inclui ainda as oficinas “Luz, Drama, Auto Ficção”, nos dias 3 e 4 de julho, às 19h, voltadas ao público interessado em artes cênicas. As atividades são gratuitas, com vagas limitadas. O projeto também promove uma residência artística com grupos locais, fortalecendo o intercâmbio entre coletivos da Amazônia.
Para o diretor Felipe Jatobá, o ponto de partida do circuito em Belém carrega simbolismo. “Amazonas e Pará estão historicamente ligados. Queremos estreitar esse laço também nas artes. Há uma lacuna no acesso à produção teatral do Norte do Brasil e nosso desejo é ajudar a abrir portas para outros grupos da região”, destaca.
