
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação
O Coletivo Açaí Pesado lançou no início de junho uma campanha de captação de recursos para viabilizar a produção da história em quadrinhos “Hipernatureza – Edição Especial Açaí Pesado”. A HQ é uma antologia de ficção especulativa que parte de um evento cósmico para propor narrativas onde a Amazônia aparece como um organismo vivo, pulsante e em disputa. Com histórias que cruzam ancestralidade e tecnologia, os autores abordam temas como bioeconomia, fake news, monocultura, mudanças climáticas, afetos e resistência dos povos amazônidas.
O projeto foi aprovado pela Lei Semear, mas depende do apoio de patrocinadores para se tornar realidade. Com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2026, a publicação contará com a colaboração de mais de 40 artistas paraenses. “A campanha atual é pra captação de recursos, estamos com o certificado da semear pra patrocínio pelo ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços) e parcerias estratégicas também, como outros coletivos artivistas, indígenas, negros, quilombolas, lgbtqiapn+ e pcd’s que se interessem e queiram somar de alguma forma. Temos 3 cotas de patrocínio: 600, 300 e 150k”, explica Ana Cavallare uma das responsáveis pelo projeto
O objetivo da campanha é chamar a atenção de empresas e apoiadores culturais que possam destinar parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ao projeto, utilizando os incentivos da lei estadual. Além da HQ, a proposta inclui a realização de um evento inédito em Belém, que une cultura pop, arte, formação e socioambientalismo, com mais de 54 horas de oficinas, painéis, feira gráfica e experiências interativas voltadas à proteção da Amazônia e ao fortalecimento de sua cultura. “O evento tem o intuito de fortalecer o cenário cultural e engajar diferentes públicos em torno de temas socioambientais urgentes, especialmente nesse momento de Pós-COP. Até o momento conta com 2 oficinas, 6 painéis e 6 workshops, ainda em desenvolvimento, então estamos abertos a sugestões também”, explica a interlocutora do coletivo.
O projeto é um manifesto criativo que trata a natureza como personagem central ativa, inteligente, dotada de direitos e capaz de se reinventar. O conceito de hipernatureza propõe uma escuta sensível ao território, em meio a alianças, conflitos e transformações que ultrapassam o tempo linear e o espaço conhecido. “A HQ é uma antologia, serão 11 histórias que se conectam através de um evento cósmico que cria uma ponte entre seres e civilizações de diferentes realidades, criando alianças e conflitos em torno do território. Queremos usar o conceito da Hipernatureza em favor da proteção da Amazônia e pelo que há de melhor no ser humano. As histórias, ainda em produção, tem como enredo: Conexão espiritual e sensitiva com a floresta, Destruição ambiental e resistência, Ameaças tecno corporativas, conflitos entre comunidades locais e interesses econômicos externos, Reflorestamento e bioengenharia, entre outros”.
Para fortalecer sua rede criativa, o coletivo lançou o selo Açaí Raíz, uma forma de identificar as produções feitas por seus membros e preservar os direitos autorais das obras. Inspirado na estética popular paraense, o selo carrega símbolos como o garrafão de açaí e a lâmpada, elementos que remetem à potência cultural das periferias e à arte como alimento e iluminação. “Pretendemos alcançar moradores de Belém, região das ilhas e RMB, especialmente de periferias, comunidades tradicionais e PCD’s. Também visando atrair discentes e docentes a nível básico e superior, da educação formal e informal, bem como pessoas de gêneros, etnias e faixas etárias diversas”, esclarece Ana.
Com artistas de Belém, Ananindeua, Barcarena, Cametá, Paragominas e outras cidades do Pará, o Açaí Pesado também planeja ações formativas e exposições em 13 bairros da região metropolitana, aproximando arte, juventude e território. “O coletivo hoje conta com 40 artistas mais convidados que, ao todo, fazem parte de 10 áreas artísticas e 53 subáreas. Somos majoritariamente mulheres e temos pessoas neuroatipicas em posições de liderança”, afirma Ana.
Empresas interessadas em apoiar o projeto via Lei Semear podem entrar em contato diretamente com o coletivo para mais informações sobre contrapartidas e detalhes da proposta.
