
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgaçção
A partir de amanhã, 05 de abril, às 9h, o Coletivo KUYA dá início a uma intervenção cultural que vai percorrer diferentes bairros de Belém.
A iniciativa faz parte do projeto “KUYA Itinerante” que tem o compromisso de ocupar e transformar os territórios periféricos por meio da arte, da cultura e da educação. A estreia será no Instituto John Heliton, localizado na Avenida Perimetral, nº 1938, no bairro da Terra Firme.
Com uma programação voltada para a promoção dos direitos humanos, o respeito às diferenças e a preservação ambiental, a itinerância conta com apoio da União Brasileira de Mulheres (UBM), na promoção de oficinas, exibições audiovisuais e apresentações artísticas que dialogam diretamente com as vivências e as demandas das comunidades onde o projeto chegar.
A programação começa às 9h com uma cerimônia de abertura, seguida da oficina “Ciranda Poesia”, conduzida por Evs Cris que propõe uma vivência musical com ênfase na oralidade e na construção coletiva de sentidos por meio da poesia. Ao mesmo tempo também acontece a oficina “Colagem com Materiais Recicláveis”, do grupo Awazônia que convida os participantes a refletirem sobre o consumo e a sustentabilidade por meio da arte, utilizando resíduos como matéria-prima para criar imagens e narrativas visuais.
Ainda pela manhã, o público poderá participar da exibição do “CineKUYA”, com curadoria de Lanna Ramos em parceria com a UBM, promovendo debates a partir de produções audiovisuais com recortes de gênero, raça e território. No final da manhã, a arte do corpo e da performance entra em cena com o espetáculo do grupo “As Dragmaticas”, formado por Verusca Zizóide, Lola, Ierê Amana e Molina Byte, que exploram a linguagem drag como expressão política, lúdica e de resistência.
O KUYA Itinerante nasce do desejo que o grupo tem de levar a cultura para além dos centros tradicionais, apostando em uma estrutura móvel que utiliza tendas grandes como espaços transitórios de arte, formação e diálogo. O projeto é uma iniciativa da Associação KUYA, coletivo amazônida que atua na articulação de diferentes linguagens e formatos culturais, unindo arte, educação e ativismo para entrelaçar narrativas e proteger as raízes dos povos da região. “Ao ocupar ruas, praças e espaços comunitários, o KUYA não apenas promove o acesso à cultura, mas também fortalece identidades, incentiva o protagonismo local e constrói pontes entre saberes populares e ações políticas de transformação social”, afirmam os idealizadores.
A cada nova parada, o projeto pretende ativar parcerias com coletivos, escolas, lideranças comunitárias e organizações sociais, contribuindo para a criação de espaços seguros e criativos, onde moradores possam expressar suas histórias, reivindicar direitos e imaginar futuros possíveis. “A proposta é que cada intervenção se transforme em um ponto de partida para novas formas de resistência cultural, inspirando outras ações autônomas nos territórios visitados”, explica Clara Panzeira, produtora cultural.
A estreia na Terra Firme é apenas o começo de um percurso que pretende atravessar outros bairros de Belém ao longo do ano, levando nas tendas do KUYA atividades artísticas e debates sobre cultura e direitos humanos. Para mais informações sobre o projeto e sua programação, os interessados podem entrar em contato com o Instituto John Heliton ou acompanhar as redes do Coletivo KUYA.