A antropóloga Elisa Casagrande lança, nesta quarta-feira, 19, às 18h no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, o livro “Carimbó – Ritmo Coreográfico da Resistência Cultural”. A obra reúne relatos de mestres e mestras e celebra os 10 anos do reconhecimento do ritmo como Patrimônio Cultural Imaterial.
Por Kelvyn Gomes/Imagem: Reprodução Mídias Digitais

Viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, Lei Rouanet, o livro traz 180 páginas ilustradas que mergulham no universo do carimbó, abordando sua dança, música, canto, instrumentos, vestimentas, gastronomia e artesanato. A publicação é resultado de uma extensa pesquisa conduzida desde 2019 pela antropóloga Elisa Casagrande, que visitou mais de 15 comunidades para documentar a vivência dessa tradição. Além da participação de Casagrande, a pesquisa contou com a colaboração do historiador Wellitton Barreto.
Com prefácio assinado pelo professor e pesquisador João de Jesus Paes Loureiro, referência nos estudos sobre a cultura amazônica, o livro reflete sobre o Carimbó, nas palavras de Paes Loureiro, “não como folclore, mas como cultura popular”, afirma o pesquisador. “Está situado na história da cultura paraense como sendo sua expressão simbólica, interage com a poética do imaginário, as autorias são reconhecidas a partir de sua identificação, diversidade de estilos, vocabulário predominantemente ribeirinho, sintonias com a cultura indígeno-ribeirinha, posteriormente enriquecida pela afrodescendência quilombola”, conclui.
A obra conta a história do Carimbó desde seu surgimento a partir da fusão de influências indígenas, africanas e europeias, a repressão durante o século XIX, passando a ser um símbolo de resistência mantido pelas mãos de seus mestres e mestras, sendo a tradução transmitida oralmente por eles. Até os movimentos de valorização cultural nos 2000 que, a partir de sua documentação, permitiu seu reconhecimento como patrimônio, apontando os caminhos para o futuro do ritmo que se reinventa, será cortar suas raízes, para se manter vivo.
O livro traz relatos de mais de 40 mestres e mestras do carimbó, cujas trajetórias são fundamentais para a preservação e disseminação do patrimônio cultural. Seus conhecimentos adquiridos pelas suas vivências cotidianas permitiu com que esses fazedores se tornassem verdadeiros guardiões culturais, além de cada um, a sua maneira, imprimisse marcas próprias na musicalidade do Carimbó.
O lançamento, que também marca os 10 anos do reconhecimento do carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), celebrado oficialmente em setembro, não poderia deixar de contar com rodas de Carimbó para celebrar a noite de festa. A programação é gratuita.
o livro pode ser acessado aqui:
