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Campeã do concurso de sambas-enredos com a “Mina é Cocoriô!” o Grêmio Recreativo Cultural e Carnavalesco Deixa Falar tem história e tradição no carnaval de Belém e estreia na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, com a Grande Rio, como uma campeã. O Portal Jambu te conta mais sobre a história da escola belenense conhecida como a “Divina da Cidade Velha”.

Por Kelvyn Gomes/Imagem: Agência Belém

Fundado em 23 de abril de 1992, o Grêmio Recreativo Cultural e Carnavalesco Deixa Falar se consolidou como um dos principais representantes do samba na cena carnavalesca de Belém do Pará. Localizada na histórica Rua Cesário Alvim, no coração da Cidade Velha, a escola é fruto da paixão de Esmael Tavares, idealizador e fundador, que escolheu o nome “Deixa Falar” inspirado em uma coincidência histórica com o nome do famoso sambista Ismael Silva, criador da primeira escola de samba do Rio de Janeiro, a homônima “Deixa Falar”, em 1929.

As cores da escola, o azul e branco, refletem o espírito de resistência e alegria do samba, e o símbolo do papagaio, com suas cores vibrantes e sua natureza extrovertida, representa a liberdade e a irreverência que marcam a trajetória da agremiação, conta a memória da escola.

A estreia da Deixa Falar no carnaval de 1993, no extinto grupo “C” de escolas de samba, foi um marco para a história da escola, já que em seu primeiro desfile a escola se consagrou como campeã logo no seu primeiro ano com o enredo Queimadas, um feito notável que garantiu o direito de ascender ao grupo “B” no ano seguinte. A partir daí, a Deixa Falar se consagrou como parte do cenário do carnaval paraense.

Entre os momentos mais marcantes da história da escola estão as vitórias em 1998, com o enredo “Deixa Falar, O Papagaio”, que a alçou ao Grupo Especial, e em 1997, quando a escola foi vice-campeã com “Deusa Dourada, Sonhos Gelados”. As obras criativas e ousadas de carnavalescos como Paulo Afonso Campos de Melo, Cláudio Rego de Miranda, e Guilherme Repilla ajudaram a moldar o visual e a identidade da escola ao longo dos anos.

Em 2005, a Deixa Falar entrou na avenida com o enredo “Por Incrível Que Pareça Deu Papagaio Na Cabeça”, uma referência ao livro da autora Simone Ferreira Soares, “O Jogo do Bicho, A Saga de um Fato Social Brasileiro”, que apresenta uma profunda análise do jogo do bicho, uma instituição secular que, além de sua faceta ilícita, possui um papel importante na cultura popular brasileira, se refletindo na música, na literatura e no folclore, e principalmente no universo do samba como é possível ver no documentário “Vale o escrito – a guerra do Jogo do Bicho”, do GloboPlay. A escolha desse tema, se propôs a levar ao público uma reflexão sobre um aspecto enraizado na história social brasileira, abordando o jogo do bicho não apenas como uma prática, mas como um elemento da cultura popular.

Para 2025 a escola leva para a avenida o enredo “O sonho virou realidade – Uma gota de amor para salvar a criação”, uma história que remonta a trajetória dos orixás e a necessidade de conscientização da humanidade sobre sua ação destrutiva. Também neste ano, a Divina da Cidade Velha estará na Marquês de Sapucaí em um desfile que promete emocionar os espectadores. Para quem não lembra, “A Mina é Cocoriô!”, composição fruto da parceria entre Mestre Damasceno, Ailson Picanço, Davison Jaime, Tay Coelho, Marcelo Moraes irá embalar o desfile da Grande Rio na madrugada de terça para quarta-feira.

O samba conta a história das encantarias da Amazônia a partir da trajetória das três princesas turcas, Jarina, Herondina e Mariana. Para muitos, a escola belenense chega à Sapucaí como uma campeã.

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