Por Rafael Arcanjo | Foto: Rafael Arcanjo
Na última sexta-feira, dia 31 de janeiro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN, oficializou a candidatura do Theatro da Paz, em Belém, e do Teatro Amazonas, em Manaus, à lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. O dossiê com a documentação foi entregue pela embaixadora Paula Alves de Souza a Lazare Eloundou Assomo, Diretor do Centro de Patrimônio Mundial da UNESCO. O processo de mobilização para a candidatura dos teatros teve início em 2023.
Conforme consta no site do IPHAN, o Brasil tem 15 bens considerados como Patrimônio Mundial Cultural, mas nenhum deles está localizado na Região Norte do Brasil. A capital federal, Brasília, e o centro histórico de São Luís são exemplos de bens brasileiros tombados pela UNESCO.
Considerado um dos principais monumentos da Era da Borracha, o Theatro da Paz foi inaugurado no dia 15 de fevereiro de 1878, em Belém. Construído no estilo neoclássico, foi a primeira grande casa de espetáculos da Amazônia, e seu modelo arquitetônico foi inspirado no Teatro Alla Scala, em Milão, na Itália.
Ele foi projetado pelo engenheiro militar José Tibúrcio de Magalhães. Na sala de espetáculos, o teatro ostenta uma balaustrada de ferro inglês folheada a ouro. O teto da sala, além de ter um grande lustre de bronze, possui uma pintura com afrescos relacionados à cultura greco-romana, com Apolo, o Deus grego do Sol e das Artes, guiando Afrodite, Deusa Grega do Amor, e as musas das artes à Amazônia.
Já o Teatro Amazonas foi inaugurado 18 anos depois do Theatro da Paz, em 1896. Com estilo renascentista, o Teatro foi construído pelo Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa. A construção do espaço se entrelaça com a do Theatro da Paz não somente pelo período, a Era da Borracha, mas também pelo artista contratado para decorar o interior de uma parte do Teatro. Domenico de Angelis foi quem decorou o salão nobre do Teatro Amazonas, mas também trabalhou na sala de espetáculos do Theatro da Paz.