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Por Regina Lima: Imagem:Aníbal Pacha

Espetáculo estreia nos dias 6 e 7 de novembro, na Casa das Artes, em Belém, e segue para Ananindeua e São Caetano de Odivelas. A programação também inclui uma oficina de teatro narrativo.

As memórias, a ancestralidade e as conquistas das mulheres no Boi de Máscaras de São Caetano de Odivelas estão no centro de “Bença Vovó”, novo espetáculo da atriz, diretora e contadora de histórias Ester Sá. A montagem estreia nos dias 6 e 7 de novembro de 2026, às 19h, na Casa das Artes, em Belém. Em seguida, será apresentada em Ananindeua, no dia 11, às 16h, na Usipaz Icuí, e em São Caetano de Odivelas, no dia 14, às 19h, no Centro Cultural do Município.

O trabalho integra o projeto “Vovozona e a Mulher em Odivelas”, contemplado pelo Edital de Chamamento Público nº 02/2025, de Fomento à Criação de Projetos Culturais, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB-PA). A iniciativa inclui ainda uma Oficina de Teatro Narrativo, ministrada por Ester Sá no dia 19 de novembro, das 18h às 20h, na Casa das Artes.

A artista assina a dramaturgia, atua em cena e compartilha a direção com Aníbal Pacha, responsável também pela concepção da visualidade. O espetáculo reúne máscaras criadas pelo Mestre Daniel Ferreira de Melo, figurinos e cenário confeccionados por Nanan Falcão e pinturas de And Santtos e Maurício Francco. A produção é de Cristina Costa.

Uma personagem que desperta memórias

Em São Caetano de Odivelas, no nordeste paraense, bois de quatro pernas, pirrus, cabeçudos, buchudos e outros personagens fantásticos ocupam as ruas durante a quadra junina. Entre máscaras, fantasias coloridas e uma multidão de brincantes, a cidade se transforma em um território de invenção coletiva, no qual a tradição se renova a cada geração.

Foi nesse universo que Ester Sá encontrou a inspiração para “Bença Vovó”: a Vovozona, figura de uma mulher velha, de corpo volumoso, que dança e brinca no cortejo. A atriz ouviu falar dela pela primeira vez em uma conversa com And Santtos, natural do município. Ao contar como a personagem surgiu e apresentar registros de sua participação na festa, ele despertou a curiosidade que daria origem à pesquisa.

“Eu sou encantada com a manifestação, por essa liberdade e criatividade do povo nessa composição coletiva que é o Boi de Máscaras. Fiquei curiosíssima sobre a personagem, ainda mais por ser uma mulher ancestral, uma avó”, conta Ester Sá.

Em cena, a artista reúne depoimentos, memórias e reflexões em uma narrativa que relaciona as experiências femininas à terra e aos ciclos da vida.

“O elemento terra é usado como metáfora na encenação, como se do leito da terra brotassem as imagens profundas do inconsciente coletivo que contam essa trajetória. A avó é aquela que sempre esteve ali. Ela viu tudo, ela sabe tudo, ela é a voz ancestral”, afirma.

A conquista de espaço no cortejo

Antes de levar o trabalho ao palco, Ester retornou a São Caetano de Odivelas para investigar a origem da Vovozona. Descobriu que ela nasceu da criatividade do Mestre Daniel Ferreira de Melo. Ao confeccionar um buchudo, personagem de criação livre no Boi de Máscaras, ele se inspirou na avó, que o criou e lhe transmitiu ensinamentos que o acompanharam por toda a vida.

Dona Exídia Ferreira de Melo tinha personalidade forte e era muito respeitada. Pertencia à família ligada à criação do Boi Tinga, o primeiro da manifestação e, durante muito tempo, o único da brincadeira. Apesar desse vínculo, ela não tinha permissão para participar dos cortejos.

A pesquisa também buscou, nas lembranças de outras moradoras, histórias que nem sempre aparecem nos relatos sobre o Boi de Máscaras. Nos primeiros tempos, os cortejos eram exclusivamente masculinos. Mulheres que tentassem participar, mesmo mascaradas, poderiam ser retiradas caso fossem reconhecidas. Algumas desafiaram as regras e, aos poucos, abriram caminho para uma presença feminina mais ampla na festa.

Os buchudos femininos expressam essas transformações. Ao ganhar as ruas, a Vovozona acrescenta uma nova representação à brincadeira, na qual as mulheres vêm conquistando espaço e protagonismo. A manifestação incorporou também a Bisa, figura feminina gigante que participa do encerramento da quadra junina.

“Em 2026, ela apareceu bem à frente do cortejo, acompanhada pelas outras vovós”, lembra Ester. “A mulher velha dançava e tinha a mão erguida, numa imagem que me marcou”, continua.

Na interpretação da artista, a avó, cuja presença evoca gerações de mulheres, parecia abrir caminho para todos. “Para mim, sua mão levantada ganhou outra dimensão. Mestre Daniel me explicou que o gesto representa o movimento da dança. Eu também vejo nele uma bênção aos brincantes”, conclui.

Após as sessões em Belém e Ananindeua, a apresentação em São Caetano de Odivelas deve promover um encontro entre a criação artística e a comunidade que a inspirou. Foi no município onde nasceu a Vovozona que a pesquisa de Ester Sá ganhou novos sentidos.

Oficina de Teatro Narrativo

Como parte do projeto, Ester Sá ministra a Oficina de Teatro Narrativo no dia 19 de novembro, das 18h às 20h, na Casa das Artes, em Belém. A atividade propõe uma aproximação com os processos de criação de “Bença Vovó” e de outros trabalhos narrativos desenvolvidos pela atriz.

Com duração de duas horas, a oficina combina relatos de experiência e exercícios práticos de composição narrativa. Serão oferecidas 20 vagas, com declaração de participação.

Serviço

Espetáculo: “Bença Vovó”

Belém
Datas: 6 e 7 de novembro de 2026
Horário: 19h
Local: Casa das Artes
Endereço: Rua Arcebispo Dom Alberto Gaudêncio Ramos, nº 236, ao lado do Santuário Basílica de Nazaré.

Ananindeua
Data: 11 de novembro de 2026
Horário: 16h
Local: Usipaz Icuí.

São Caetano de Odivelas
Data: 14 de novembro de 2026
Horário: 19h
Local: Centro Cultural do Município.

Oficina de Teatro Narrativo
Ministrante: Ester Sá
Data: 19 de novembro de 2026
Horário: das 18h às 20h
Local: Casa das Artes, em Belém
Duração: duas horas
Vagas: 20
Com declaração de participação.

Fomento: projeto contemplado pelo Edital de Chamamento Público nº 02/2025, de Fomento à Criação de Projetos Culturais, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB-PA).

Ficha técnica

Pesquisa: Ester Sá e Aníbal Pacha
Dramaturgia e atuação: Ester Sá
Direção: Aníbal Pacha e Ester Sá
Concepção da visualidade: Aníbal Pacha
Consultoria técnica em iluminação: Marckson Moraes
Produção: Cristina Costa
Assistência de cena e produção: Thiago Ferradaes
Criação de máscaras e figurino da Vovozona: Mestre Daniel Ferreira de Melo
Confecção de figurinos e cenário: Nanan Falcão
Pintura de cenário (imagens): And Santtos
Pintura de cenário (nomes): Maurício Francco
Composição da música original do Boi Tinga: Mestre Silvano Garça
Edição de áudios: André Mardock
Assessoria de imprensa: Luciana Medeiros, Holofote Virtual
Arte gráfica e edição de vídeos: Lucas Serejo
Filmagem: Raul Lima e André Mardock
Intérprete de Libras: Gessica Pimentel
Audiodescrição: Lucas Martins

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