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Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação

Nos dias 22, 23 e 24 de agosto, a partir das 17h, no Curro Velho, no bairro do Telégrafo, acontece a 3ª edição da Conferência das Periferias (COP das Baixadas). O evento deve reunir cerca de 800 pessoas entre lideranças comunitárias, organizações da sociedade civil, artistas, pesquisadores, jovens e moradores das periferias de Belém e da Região Metropolitana.

A programação é gratuita e aberta ao público, com painéis, tribunais simbólicos, oficinas, mobilizações comunitárias e apresentações culturais. A proposta é fortalecer o debate sobre justiça climática a partir das vivências das populações periféricas, consideradas entre as mais vulneráveis aos impactos da crise ambiental.

Segundo Ruth Ferreira, historiadora, ativista socioambiental e co-idealizadora, espaço da conferência será usado para incidências políticas, mas também de troca cultural e comunitária, onde os impactos da crise climática são tratados a partir da vivência concreta de quem sente os efeitos. “Devemos olhar para a COP das Baixadas porque ela mostra que as soluções não vêm apenas dos grandes fóruns internacionais, mas também das periferias, que historicamente já desenvolvem práticas de resistência e cuidado com os territórios”, destacou.

Programação gratuita e para todas as idades

Na sexta-feira, 22, a abertura será às 17h com o credenciamento, seguida, às 18h, pela mística de boas-vindas. Às 18h30 acontece a mesa de abertura com o tema “Do Global ao Local: Como a COP30 Pode Transformar o Financiamento Climático nas Periferias”. Às 20h será realizado o lançamento da terceira edição da revista Vozes da Vila, com bate-papo entre os autores.

A publicação, produzida por adolescentes da comunidade, discute nesta edição os impactos das obras de preparação para a COP e do evento em Belém.  A revista é uma realização do projeto Memória e Cultura Periférica em parceria com a ONG Vila da Barca, com apoio da vereadora Vivi Reis (PSOL) e do Centro de Estudos de Governança da UFPA.

No sábado, 23, as atividades iniciam às 9h com mesas simultâneas em diferentes espaços. Entre os temas estão zonas amarelas e territórios baseados na natureza, cultura e clima nas periferias, mobilidade e direito à cidade, bens públicos digitais e juventudes, além de roda de conversa sobre saneamento básico e infraestrutura. A programação inclui ainda o Tribunal das Crianças, às 12h, e o Tribunal da COP 30, às 18h.

Após o intervalo para almoço, oficinas e painéis tratarão de justiça climática, mobilidade sustentável, escuta das mais velhas, corpos dissidentes e justiça socioambiental, além de debates sobre espiritualidade, memória, infância e clima. As atividades se estendem até as 20h. 

O domingo, 24, marca o encerramento da conferência, com início às 7h na YellowZone, em Águas Lindas, de onde parte o “Pedal Rumo à 3ª COP das Baixadas”. Às 8h30 ocorre a concentração do cortejo, seguida de programação no anfiteatro e nas salas temáticas.

Entre as atividades estão corrida de cargueiras, oficinas de carta política, proteção dos rios urbanos, teatro de sombras para crianças, oficinas de bonecos e cerâmica, ocupação criativa e exibição de curtas, além de espaço voltado para autocuidado. A partir das 14h30 haverá programação cultural com intervenções, seguida de batalha de hip hop às 16h30. O evento será encerrado às 19h, com apresentação dos DJs da Barca. 

O protagonismo da juventude das periferias

Com o lema de construir coletivamente “a conferência que queremos” na Amazônia, a iniciativa quer reafirmar a importância de incluir as vozes das periferias nas discussões globais. Para os organizadores, a COP das Baixadas não apenas antecipa debates que ganharão visibilidade com a chegada da conferência da ONU, mas também garante que os territórios historicamente marginalizados estejam no centro das decisões sobre o futuro da floresta e das cidades amazônicas.

Criada pela própria juventude, a COP das Baixadas surgiu ainda antes da confirmação da realização da COP30 em Belém, prevista para novembro deste ano. Desde então, consolidou-se como um espaço de incidência política e mobilização social, articulando ações de educação climática, cultura, lazer e esporte. As edições de 2023 e 2024 reforçaram o protagonismo de coletivos locais e ampliaram as narrativas em defesa da Amazônia.

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