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Por Kelvyn Gomes/Imagem: Divulgação

A floresta e seus rios, os deslocamentos e os afetos, as resistências e os silêncios, tudo isso se transforma em arte nas mãos de 74 artistas e coletivos da Pan-Amazônia, anunciados como participantes da 2ª Bienal das Amazônias. Com curadoria de Manuela Moscoso, ao lado de Sara Garzón e Jean da Silva, a exposição ocupará a cidade de Belém, PA, entre 29 de agosto e 30 de novembro de 2025, com obras que atravessam linguagens e fronteiras para propor um mergulho poético e político no tema “Verde-distância”.

A inspiração para o tema deste ano vem do livro “Verde Vagomundo” do escritor paraense Benedicto Monteiro, que narra os dramas de um povo moldado pelo verde, pelas distâncias e pelo isolamento. É com esse pano de fundo que artistas como Zahy Tentehar, Joseca Yanomami, Brus Rubio e Sara Flores colocam suas produções em diálogo com memórias, cosmologias e modos de habitar o mundo que emergem dos territórios. “A criação não acontece no vácuo. Cada artista traz a marca de suas águas, suas dores, seus cantos. Escutá-los é parte fundamental do nosso trabalho curatorial”, afirma Manuela Moscoso, que percorreu comunidades ribeirinhas, cidades do interior e espaços independentes na busca por obras que traduzem as urgências do presente com o corpo da floresta.

Entre os destaques brasileiros estão nomes como Silvana Mendes, que investiga imagem e ancestralidade negra a partir do Maranhão; Marcelle Nascimento, que desenvolve um trabalho com forte presença performática em Manaus; e Maurício Igor, artista visual e ativista indígena que explora territórios afetivos e políticos em sua obra.

Além de nomes consagrados, a Bienal aposta em coletivos e espaços alternativos como o Mapa Teatro + Nükak, da Colômbia, que misturam teatro, instalação e ativismo indígena; o Marajó Estampado, que transforma os saberes artesanais do Pará em arte gráfica; e o coletivo Amazoniando, do Brasil, voltado para arte-educação em comunidades amazônicas.

Para a curadora adjunta Sara Garzón, “a Bienal busca reconhecer os processos artísticos como parte de ecologias vivas, que reagem e dialogam com suas realidades”. E é justamente essa capacidade de entrelaçar experiências, territórios e práticas que faz da mostra um território em si: um campo de encontros, deslocamentos e retornos.

A escolha do tema “Verde-distância” resgata o sentimento de separação e busca, tão presente nas narrativas amazônicas. Mas também afirma a potência de reconectar vozes, saberes e imagens por meio da arte. Com artistas que falam desde dentro, das aldeias, dos interiores, das margens, a Bienal das Amazônias se posiciona como um dos mais relevantes eventos de arte contemporânea do Sul Global.

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